Na música, o duo de funk paulista (formado por mãe e filha, ambas chamadas de "Nega" e "Neginha") tem um hit homônimo que estourou nas favelas de SP em 2023. A letra diz: "Cê pensou que acabou? / A pantera velha morreu? / Mentira / Em nome do pai que me criou / E em nome da filha que eu pari / O bicho vai pegar de novo / E dessa vez é no quintal do juiz." A força da canção está em inverter a lógica da vingança privada para uma justiça pública e generificada . Não é mais o filho que vinga o pai — é a filha, e ela está acompanhada de sua própria descendente. Capítulo 5: O Lado Sombrio – Quando o Nome do Pai Escraviza É necessário um olhar crítico. Nem toda invocação do "nome do pai" é libertadora. Em muitos contextos de facções prisionais ou milícias, a frase pode ser usada para coagir filhas a continuarem ciclos de violência doméstica e sucessão criminosa. A filha se torna uma herdeira forçada de dívidas de sangue.
Em um Brasil onde mais de 4 mil mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024 (dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública), ser pantera não é luxo — é sobrevivência. E fazer isso em nome do pai e da filha é garantir que o ciclo da violência se transforme em ciclo de cuidado. as panteras em nome do pai e da filha
No contexto brasileiro, as "panteras" ganharam notoriedade na década de 1970 como uma alusão às mulheres de facções criminosas ou grupos de extermínio — mães e companheiras que, diante da ausência do Estado, assumiam o controle das comunidades. Contudo, a virada semântica ocorreu com a chegada do século XXI, quando o termo foi ressignificado por coletivos femininos periféricos. Na música, o duo de funk paulista (formado
Em várias narrativas literárias e musicais recentes — como as obras de Geovani Martins e Ferréz — vemos filhas que assumem o controle de territórios "em nome do pai". Elas não buscam vingança sanguinária, mas sim . São mulheres que pegam o bastão da liderança comunitária que seus pais não puderam terminar de carregar. / Mentira / Em nome do pai que
Organizações como o Instituto Padre Fabio de Melo têm alertado para o uso deturpado do termo "panteras" em alas femininas de presídios. Lá, ser uma pantera "em nome do pai" significa, muitas vezes, aceitar a violência como destino e não como escolha. O verdadeiro desafio, portanto, é .
Mas o que significa, afinal, invocar "As Panteras em Nome do Pai e da Filha"? Longe de ser apenas um título poético ou uma referência a um filme de ação, a expressão tem sido resgatada em diversos contextos culturais e sociais brasileiros — desde rodas de samba e literatura marginal até movimentos de direitos humanos. Este artigo mergulha nas origens, nas interpretações e no impacto contemporâneo dessa poderosa aliança feminina e paterna. Para entendermos a frase, precisamos primeiro desconstruir a figura da pantera no imaginário coletivo. Diferente do leão (realeza e poder explícito) ou da hiena (covardia), a pantera simboliza a força silenciosa, a agilidade noturna e a proteção feroz da prole .